A Macroeconomia das Microrregiões de Minas Gerais

Explore a dinâmica econômica de Minas Gerais: entenda as desigualdades regionais e o impacto na distribuição de renda e na adoção de novas tecnologias. Descubra como os dados revelam o papel estratégico de microrregiões como Belo Horizonte e Uberlândia no cenário estadual.

Edson Paulo Domingues ../../pesquisadores/edson_paulo.html (UFMG)https://ufmg.br , Fernando Salgueiro Perobelli ../../pesquisadores/fernando_salgueiro.html (UFJF)https://ufmg.br , Guilherme Perobelli Salgueiro ../../pesquisadores/guilherme_perobelli.html (UFMG)https://ufmg.br
2025-02-24

O Estado de Minas Gerais é formado por 853 municípios que, de acordo com a classificação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), são agregados em 66 microrregiões e 12 mesorregiões. O estado tem área de 586.513,983 km² tornando-o o quarto mais extenso do país, e o segundo mais populoso. Minas Gerais, assim como o Brasil, apresenta indicadores socioeconômicos bastante díspares entre suas regiões. Tal heterogeneidade pode afetar, por exemplo, a distribuição e absorção de novas tecnologias de produção, como por exemplo a geração solar. Portanto, nesse texto vamos explorar a dinâmica econômica do estado de Minas Gerais, por meio da análise da distribuição territorial dos agregados macroeconômicos (e.g. produção, consumo das famílias, investimento e gastos do governo). Para mensurar de maneira adequada a dinâmica econômica do Estado, serão utilizadas as 66 microrregiões mineiras como recorte regional do estudo. Com tal agregação, será possível entender as particularidades de cada região do estado, e contribuir para a implementação de políticas públicas de cunho territorial. Duas análises serão realizadas, sendo a primeira a avaliação sob a ótica da produção e seu destino e a segunda sobre a ótica da distribuição espacial da renda per capita.

Foram analisados os dados referentes a participação percentual, para produção, consumo das famílias, investimento e gastos do governo, de cada microrregião em relação ao total estadual para o ano base do modelo, 2015. Ao analisar os resultados é nítido o caráter heterogêneo do estado de Minas Gerais. A microrregião de Belo Horizonte, que contempla a capital do estado e sua região metropolitana, é responsável por cerca de 32% da produção, 28% dos gastos das famílias e 32% do investimento. A microrregião de Uberlândia, contribui com cerca de 7% do total produzido no estado, sendo seguida pelas microrregiões de Juiz de Fora (3,4%) e Ipatinga (3,2%). Assim sendo, cerca de 45% da produção do estado está concentrada em quatro microrregiões. Por outro lado, em termos espaciais, algumas microrregiões localizadas no Vale do Mucuri e Jequitinhonha, apresentam as menores participações na produção mineira, como o caso de Araçuaí (0,1%), Almenara (0,2%) e Pedra Azul (0,1%).

Para a melhor visualização dos dados serão apresentados a distribuição espacial das variáveis trabalhadas, por meio de quatro mapas, a saber: a) distribuição espacial da participação da produção das microrregiões no total do estado; b) distribuição espacial da participação do consumo das famílias das microrregiões no total do estado; c) distribuição espacial da participação do investimento das microrregiões no total do estado; e d) distribuição espacial da participação dos gastos do governo das microrregiões no total do estado.

Ao observar a Figura 1 a 4 verifica-se um padrão espacial muito semelhante para todas as variáveis. A microrregião de Belo Horizonte como a de maior importância, seguida pela microrregião de Uberlândia. Além disso, verifica-se um caráter radial a partir de Belo Horizonte, ou seja, microrregiões vizinhas à Belo Horizonte, com participação relativa mais proeminente que microrregiões localizada, por exemplo, no norte do Estado.

Figura 1: Distribuição Espacial dos Fluxos de Produção em MG

Fonte: Elaborado pelos autores com base no modelo SOLAR-MG.
Figura 2: Distribuição Espacial do Consumo das Famílias em MG

Fonte: Elaborado pelos autores com base no modelo SOLAR-MG.
Figura 3: Distribuição Espacial da Participação no Investimento em MG

Fonte: Elaborado pelos autores com base no modelo SOLAR-MG.
Figura 4: Distribuição Espacial dos Gastos do Governo em MG

Fonte: Elaborado pelos autores com base no modelo SOLAR-MG.

Outro aspecto importante para entender a dinâmica econômica das microrregiões de Minas Gerais é a relação entre capital e trabalho. Para esse texto, será apresentado a razão entre o somatório dos fatores capital e trabalho, pela população de cada microrregião mineira. Dessa forma, será possível identificar em quais regiões se localizam as regiões com maior valor adicionado per capita no Estado.

Nesse aspecto, destacaram-se Uberlândia, com um valor adicionado per capita, mensurado por: fatores primários/população de R$128.581 seguido por Ouro Preto (R$106.260); Pouso Alegre (R$52.827); Conselheiro Lafaiete (R$50.206) e Juiz de Fora (R$44.089). Nessa métrica a região metropolitana e a capital Belo Horizonte não figura entre as principais regiões com alto valor adicionado em capital e trabalho, ocupando o nono lugar com (R$31,231). A figura 5 apresenta o mapa com essa relação auxilia na compreensão da distribuição espacial desse indicador.

Figura 5: Razão entre Capital-Trabalho e População em MG

Fonte: Elaborado pelos autores com base no modelo SOLAR-MG.

Nota-se maior concentração de valor adicionado nas regiões centrais do Estado, com prevalência em Ouro Preto, e nas regiões nas adjacências de Belo Horizonte. No Triângulo Mineiro, o destaque é Uberlândia. Em termos espaciais, percebe-se maior destaque para a porção do sudoeste do estado. O Norte de Minas e o Vale do Mucuri e Jequitinhonha, apresentam os menores valores adicionados, o que corrobora com a premissa da heterogeneidade estadual, também no âmbito da formação de renda. Tal região apresenta os menores indicadores de atividade produtiva, como também sob a ótica da razão entre capital-trabalho e a população da região.

Com base nos dados apresentados pode-se entender de forma geral a dinâmica econômica do Estado de Minas Gerais, notando uma heterogeneidade no que se refere aos fluxos comerciais, e um predomínio de regiões como Belo Horizonte, Uberlândia, Uberaba e Juiz de Fora, nos principais fluxos comerciais do Estado.

Entender a estrutura espacial da economia mineira e a distribuição econômica no Estado, nos auxilia a interpretar a solução dos exercícios de simulação, que serão realizados por meio de modelos de equilíbrio geral computável. No caso do presente projeto, será avaliado a economia gerada para as famílias no modelo, por meio da redução do valor pago por eletricidade. Portanto, esse texto teve como objetivo apresentar de maneira regional o funcionamento da economia mineira no modelo de equilíbrio geral computável proposto, a partir do qual se darão os experimentos simulados.