A distribuição espacial da geração fotovoltaica em Minas Gerais

Por que algumas regiões de Minas Gerais se destacam na geração de energia solar enquanto outras ficam para trás? Neste texto, analisamos a distribuição espacial da geração fotovoltaica no estado, explorando como fatores como renda e irradiação influenciam esse cenário. Descubra quais regiões têm maior potencial inexplorado e como políticas públicas podem impulsionar a expansão da energia solar.

Edson Paulo Domingues ../../pesquisadores/edson_paulo.html (UFMG)https://ufmg.br , Fernando Salgueiro Perobelli ../../pesquisadores/fernando_salgueiro.html (UFJF)https://ufmg.br , Guilherme Perobelli Salgueiro ../../pesquisadores/guilherme_perobelli.html (UFMG)https://ufmg.br
2025-02-24

O Estado de Minas Gerais apresenta grande heterogeneidade social e regional, como apresentado em nosso texto sobre a macroeconomia das microrregiões de Minas Gerais, portanto, acredita-se que a distribuição das instalações fotovoltaicas não será uniforme. Isso ocorre, pois para que se ocorra o investimento na geração solar é necessário investimento privado ou público, e também questões climáticas e demográficas favoráveis. Nesse texto, apresentaremos a distribuição espacial da geração fotovoltaica distribuída e residencial no Estado de Minas Gerais, com objetivo de identificar clusters regionais e locais com potencialidades inexploradas, e que podem ser alvo de políticas públicas com objetivo de expandir a geração no Estado.

Inicialmente, para testar de maneira formal a hipótese de que as instalações fotovoltaicas não se distribuem espacialmente de maneira uniforme no estado foi utilizado um indicador conhecido por I de Moran. O valor desse indicador foi estatisticamente significativo e corroborou com a hipótese inicial. A partir desse resultado, foram serão apresentados três mapas para ilustrar a geração fotovoltaica residencial no Estado. O primeiro mapa ilustra a distribuição das instalações fotovoltaicas. O segundo e o terceiro mapa são relacionados com fatores que se correlacionam positivamente com a geração fotovoltaica, sendo eles: salário médio da população, e um indicador de recurso solar. Essas variáveis foram escolhidas, pois segundo a literatura são fatores que impulsionam a geração solar.

Figura 1: Clusters – Potência Instalada
Fonte: elaborado pelos autores com apoio do software Geoda.

Por meio da Figura 1, é possível identificar clusters espaciais na potência instalada em geração solar no estado de Minas Gerais. Nota-se, em especial, a região do Triângulo Mineiro, Noroeste de Minas e a Região Metropolitana de Belo Horizonte, como as regiões que abrigam os clusters alto-alto na geração fotovoltaica no estado. Nessas localidades estão dispostos municípios que apresentam uma alta geração fotovoltaica e cujo vizinhos também apresentam a mesma característica.

Entretanto, além do cluster de alta-alta geração, também se nota a presença de alguns clusters de baixa-baixa geração. Essa classe, compreende municípios com baixa geração fotovoltaica instalada, e que são cercados por vizinhos com essa mesma característica. É o caso, principalmente, das regiões da Zona da Mata, Vale do Mucuri e Jequitinhonha e a região Central mineira. Nessas regiões supracitadas, a geração fotovoltaica apresenta um padrão inferior à média contabilizada no estado.

Os dados da variável de potência instalada dizem respeito ao somatório das potências geradas por cada um dos módulos fotovoltaicos presentes nos municípios mineiros. Essas instalações se referem a geração residencial, portanto, a instalação cabe aos habitantes das cidades, sendo assim, fatores socioeconômicos terão peso na escolha em se instalar ou não a energia solar.

De acordo com a literatura, a renda é uma importante variável para a instalação de painéis fotovoltaicos, dado o seu custo e o ainda baixo acesso da população como um todo a tal tecnologia. Portanto, acredita-se que em regiões com maior nível de renda, a geração fotovoltaica distribuída tende a se destacar. Dessa maneira, com objetivo de destacar como a renda formal se distribui espacialmente, será apresentado os clusters regionais para a variável de salário médio.

Figura 2: Clusters – Salário Médio
Fonte: elaborado pelos autores com apoio do software Geoda.

Nota-se que a região do Triângulo Mineiro, RMBH, Noroeste de Minas e Vale do Rio Doce, apresentam clusters alto-alto, ou seja, observações que possuem um coeficiente de salário acima da média global, cercado por vizinhos com essa mesma característica, dado uma matriz do tipo Rainha de primeira ordem. Por sua vez, a região norte, o Vale do Mucuri e Jequitinhonha e Zona da Mata mineira, apresentam observações que possuem baixo salário médio, cujo vizinhos também apresentam a mesma característica.

Ao comparar os mapas dispostos na Figura 1 e 2, percebe-se que os locais com clusters de alta renda, também são aqueles em que se identifica clusters de alta produção de eletricidade solar. Isso indica, que o fator renda é importante para a geração fotovoltaica.

Além dos indicadores socioeconômicos, a literatura aponta também a necessidade de fatores geográficos favoráveis para o bom aproveitamento do sol como fonte energética. Dentre esses aspectos, incluem a posição em relação a terra como a latitude, e os níveis de irradiação. Logo, pelo fato da irradiação variar de maneira semelhante entre municípios vizinhos, será apresentado um índice bivariado, entre potência instalada e recurso solar. Esse indicador mede o grau em que o valor de uma determinada variável num local está correlacionado com os seus vizinhos para uma variável diferente. Nesse estudo, verifica-se a correlação entre a potência observada no município i, para com a irradiação apresentada em seus j vizinhos contíguos.

Figura 3: I de Moran Bivariado – Potência/Irradiação
Fonte: elaborado pelos autores com apoio do software Geoda.

A baixa irradiação pode explicar o cluster de baixa-baixa geração solar na Zona da Mata mineira. De acordo com o I de Moran bivariado, é uma região que apresenta observações com baixa potência instalada rodeada por vizinhos com baixa irradiação.

Outra região de interesse é o Norte de Minas, que apresenta observações que contém uma baixa potência instalada, entretanto, cercado por vizinhos com alta irradiação. Tal constatação pode ser um indicador para a necessidade de políticas públicas regionais que alavanquem o potencial energético da região. Trata-se de uma região que apresenta uma condição geográfica favorável para a geração solar, entretanto, pouco aproveitada em decorrência de condições socioeconômicas desfavoráveis.

Tais políticas públicas, devido a heterogeneidade do estado de Minas Gerais, devem ser focalizadas nas regiões de interesse, para que a absorção da tecnologia ocorra de maneira exitosa. No Estado, por exemplo, aqueles municípios que apresentam os maiores níveis de recurso solar, também são aqueles cujo nível de renda, escolaridade e pobreza são deficitários, denotando uma correlação entre ambas as variáveis. Logo, tanto a questão geográfica, como os fatores sociais são preponderantes para o desenvolvimento da geração fotovoltaica. Esses municípios que apresentam abundância de recurso solar (geográfico) devem receber políticas que visem consolidar o potencial ainda não atingido na geração solar.

Esse texto, portanto, teve como objetivo apresentar de maneira visual a distribuição da geração fotovoltaica residencial em Minas Gerias. Ademais, buscou correlacionar essa variável com renda e irradiação, sendo tais fatores importantes para a expansão da geração solar no Estado.